sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O equivocado despertar do inconformismo.


Uma mistura de sentimentos toma conta de todos os xavantes no dia de hoje.
Na realidade não sei como expressar aqui minha dor, ainda não acredito no que aconteceu.
Queria que fosse como um sonho, ou melhor um pesadelo. Que eu pudesse despertar e ver que aquilo não passava de algo subconsciente, só que, como muitos, não consegui dormir. Mais ou menos meia noite, ouvi alguns comentários sobre o acidente, mas não imaginava que pudesse ser dessas proporções. Primeiramente não pensei em morte, nem ferimentos graves. Na maioria das vezes achamos que os nossos heróis são imortais que nunca acontecerá nada com algum deles..

Liguei todas as estações que pude, acompanhei passo a passo todas informações possíveis. Comecei a perceber que não era um acidente qualquer. Intensifiquei minhas buscas. Soube notícias de muitos, que estavam vivos sem riscos, mas aviam suspeitas de 4 obitos, e os nomes que eu não tinha ouvido eram "Milar" e "Régis", será mesmo que eles poderiam ter partido? Uma ironia do destino. Tudo indicava que sim, mas eu queria o contrário..

Horas depois se confirmou: "Pelo menos quatro pessoas da delegação do Brasil de Pelotas morreram em um acidente de ônibus, na madrugada desta sexta-feira, no km 150 da BR-392, em Canguçu, no Rio Grande do Sul. O atacante Claudio Milar, maior ídolo da torcida, o zagueiro Régis e o preparador de goleiros Giovane Guimarães estão entre as vítimas."

Foi aí que o choque tomou conta, não parecia verdade. Tentei ligar para todos, mas Pelotas adormecia.. Prontamente fui ao PS, lá vi muitos jogadores chegarem de ambulância ou por veículos particulares. Entre eles: Cleber, Danrlei, Alex. Todos "bem" fisicamente, mas o piscicológico abalado. Ainda me lembro do jogador Alex Martins chegando ainda em choque, desesperado. Abraçou a mulher de Régis, juntos gritavam tentando aliviar a dor.
Foi nesse momento que todos perceberam que ali, naquele local, se encontrava um sobrevivente que viu seus irmãos, amigos, companheiros, infelizmente mortos. Quem estava se segurando: desabou; quem já chorava, como eu, não conseguia mais conter as lágrimas. Ainda era inacreditável!

O sono havia ido embora, os pensamentos que tomavam conta naquele momento eram:
"E quando a Pelotas amanhecer?" Pensei que ia ouvir muito choro, mas o que eu encontrei no Bento Freitas pela manhã, foi um estádio calado.
Fazia muito sol, e um calor de 24° as 9 horas da manhã. O trabalho de organização havia começado, eu colocava as cadeiras no lugar. As mesmas que os familiares sentaram, cadeiras que testemunharam o choro, a raiva, as dúvidas, os questionamentos, a tristeza; o último adeus.

"(...)Na maioria das vezes achamos que os nossos heróis são imortais que nunca acontecerá nada com algum deles.. mas eles são imortais, se fazem vivos dentro de nós!"

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